Amor que morre
O nosso amor morreu... Quem o diria!
Quem o pensara mesmo ao ver-me tonta,
Ceguinha de te ver, sem ver a conta
Do tempo que passava, que fugia!
Bem estava a sentir que ele morria...
E outro clarão, ao longe, já desponta!
Um engano que morre... e logo aponta
A luz doutra miragem fugidia...
Eu bem sei, meu Amor, que pra viver
São precisos amores, pra morrer,
E são precisos sonhos para partir.
E bem sei, meu Amor, que era preciso
Fazer do amor que parte o claro riso
De outro amor impossível que há-de vir!
Florbela Espanca
sexta-feira, 31 de julho de 2009
amor que morre
Postado por TYTAN às 18:25 0 comentários
sonetos de amor
Sonetos de amor Elizabeth Barrett Browning SONETO XXVIII Tradução: Manuel Bandeira
SONETO XIV
Tradução: Manuel Bandeira
Ama-me por amor do amor somente
Não digas: «Amo-a pelo seu olhar,
O seu sorriso, o modo de falar
Honesto e brando. Amo-a porque se sente
Minh'alma em comunhão constantemente
Com a sua.» Porque pode mudar
Isso tudo, em si mesmo, ao perpassar
Do tempo, ou para ti unicamente.
Nem me ames pelo pranto que a bondade
De tuas mãos enxuga, pois se em mim
Secar, por teu conforto, esta vontade
De chorar, teu amor pode ter fim!
Ama-me por amor do amor, e assim
Me hás de querer por toda a eternidade.
SONNET XIV
If thou must love me, let it be for nought
Except for love's sake only. Do not say
«I love her for her smile... her look... her way
Of speaking gently,... for a trick of thought
That falls in well with mine, and certes brought
A sense of pleasant ease on such a day» —
For these things in themselves, Belovèd, may
Be changed, or change for thee, — and love, so
[ wrought,
May be unwrought so. Neither love me for
Thine own dear pity's wiping my cheeks dry, —
A creature might forget to weep, who bore
Thy comfort long, and lose thy love thereby!
But love me for love's sake, that evermore
Thou may'st love on, through love's eternity.
As minhas cartas! Todas elas frio,
Mudo e morto papel! No entanto agora
Lendo-as, entre as mãos trêmulas o fio
da vida eis que retomo hora por hora.
Nesta queria ver-me — era no estio —
Como amiga a seu lado... Nesta implora
Vir e as mãos me tomar... Tão simples! Li-o
E chorei. Nesta diz quanto me adora.
Nesta confiou: sou teu, e empalidece
A tinta no papel, tanto o apertara
Ao meu peito que todo inda estremece!
Mas uma... Ó meu amor, o que me disse
Não digo. Que bem mal me aproveitara,
Se o o que então me disseste eu repetisse...
SONNET XXVIII
My letters! all dead paper, mute and white!
And yet they seem alive and quivering
Against my tremulous hands which loose
[ the string
And let them drop down on my knee to-night.
This said, — he wished to have me in his sight
Once, as a friend: this fixed a day in spring
To come and touch my hand... a simple thing,
Yet I wept for it! — this... the paper's light...
Said, Dear I love thee; and I sank and quailed
As if God's future thundered on my past.
This said, I am thine — and so its ink has paled
With lying at my heart that beat too fast.
And this... O Love, thy words have ill availed
If, what this said, I dared repeat at last!
Postado por TYTAN às 18:13 0 comentários
navegar é preciso,viver não é preciso
"Um dia,
lá para o fim do futuro,
alguém escreverá sobre mim um poema,
e talvez só então eu comece a reinar no meu Reino."
Navegar é Preciso
54 VisualizaçõesNavegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
“Navegar é preciso; viver não é preciso”.
Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.
Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.
Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.
[Nota]
“Navigare necesse; vivere non est necesse” - latim, frase de Pompeu, general romano, 106-48 aC., dita aos marinheiros, amedrontados, que recusavam viajar durante a guerra, cf. Plutarco, in Vida de Pompeu]
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domingo, 5 de julho de 2009
mecanica quantica
Nova forma de ver o mundo
A mecanica quantica ,quando criada ,causou grande impacto e oposição porque afirmou que a posição e a velocidade das particulas só podiam ser previstas por modelos matematicos probabilisticos. Os teoricos classicos inclusive EINSTEIN, afirmavam que ou as observações estavam erradas ou a teoria estaria imcompleta.Passados 80 anos e aperfeiçoados os metodos de observação ,ela continua sendo confirmada até hoje.
Além das experiências de Aspect e das experiências
com átomos frios (ver ‘Experiências com átomos
frios’), existe hoje um enorme repertório de
resultados experimentais que confirmam de forma
muito direta as predições da teoria quântica. Mais
que isso, essa teoria com 80 anos de existência
tem que ser declarada absolutamente invicta até
hoje, pois suas predições, mesmo as mais surpreendentes
ou estranhas, resultaram corretas em todos
os casos em que puderam ser testadas.
Os testes mais diretos se tornaram possíveis
apenas recentemente, graças ao desenvolvimento
alcançado por técnicas experimentais de precisão
em escala atômica. A isso se deve, sem dúvida,
o forte reforço do grau de ‘realidade’ associado a
essa nova forma de ver o mundo, dando origem,
inclusive, a uma ‘engenharia quântica’, isto é, ao
desenvolvimento sistemático de técnicas de manipulação
e controle da realidade física como revelada
através da teoria quântica.
O trabalho de Einstein, Podolski e Rosen criticava
a teoria quântica por não ter predições definidas
para os ‘elementos de realidade’ de então.
Setenta anos depois, pode-se dizer que as respostas
dos oráculos experimentais às questões que lhes
foram formuladas – em boa medida como resultado
dessa crítica – parecem sinalizar obstinadamente
no sentido de uma redefinição do que deva
ser tomado como ‘realidade’. ■
VICTOR VASARELY / CONJUNCTION, 1987
"Qualquer um que não se choque com a Mecânica Quântica é porque não a entendeu." (Niels Bohr)
"Fé e razão são como a dualidade-onda prtícula: pode-se ter as duas coisas, mas nunca ao mesmo tempo." (Alberto Präss)
Postado por TYTAN às 22:05 0 comentários




