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magtoo

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

o califa

banos-arabes


O Califa


No outro tempo em Bagdá Almansor, o Califa,
Um palácio construiu todo de ouro: a alcatifa
De jaspe, a colunata em pórfiro e o frontal
De toda a pedraria asiática, oriental;
Em frente desse asilo em piscinas de luxo
Chovia áurea poeira as fontes em repuxo

 

Ora, ali perto havia em frente ao monumento
Uma choça mesquinha, esfarrapada ao vento,
Quasi a cair, humilde e tristonha mansão
De um velho pobre, velho e simples tecelão.
Essa mísera casa, ao certo transtornava
A suntuosa impressão do Palácio. Causava
Não sei que dor, talvez asco. Desagradável,
Tanta riqueza ao pé de choça miserável!
Convinha, pois destruí-la. E ao velho tecelão
Oferecem dinheiro, e o velho disse: "—
Não
Guardai vosso ouro todo; esta casa que habito
Nunca será vendida, antes seja eu maldito,
Arrasai-a, porquanto é-rvos fácil poder.
Nela morreu meu pai e nela hei de eu morrer".
E à resposta do velho o califa Almansor
Esteve a meditar. Um dos servos: — "Senhor!
Sois poderoso e rei, vós podeis sem vexame
Essa casa arrasar, já e já, sem exame,
Pois vós! retroceder diante de um tecelão!"
Almansor, o Califa ergueu-se e disse: "
__ Não!
Eu não quero destruir a mesquinha choupana,
Quero-a de pé, bem junto a mim, essa cabana,
Porquanto a geração dos meus filhos se expande,
E quero que cada um a refletir, sem custo,
Vendo o palácio diga: — "Ave! Almansor foi grande!'
E vendo a pobre choça: — "Ele foi mais: — foi justo!"
Poesias.

julio ribeiro

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