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magtoo

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Fausto de Goeth--O empireo

 boscoempireo


O Empíreo. Ao meio o Senhor, no trono. À roda a corte celestial, com as suas jerarquias: anjos, arcanjos, querubins, serafins, tronos, potestades, dominações, virtudes, e coros.
 


O SENHOR, a sua corte, logo depois MEFISTÓFELES* 

(Acercam-se do trono os três Arcanjos) 

RAFAEL (cantando) 

No coro sideral o sol vai prosseguindo, 
qual na origem lho hás dado, o curso harmonioso. 
Tonitruante baixo em teu concerto infindo, 
só mandando-lho tu, Senhor, terá repouso. 
Sua luz dobra a nossa, enchendo-nos de espanto 
não podermos sondar-lhe a portentosa essência. 
Como o fora a princípio, ó sacra Omnipotência, 
teu sol é hoje ainda enigma, assombro, encanto. 

GABRIEL (cantando) 

E da terráquea esfera a máquina esplendente 
segue em seu torvelino, eterno, arrebatado; 
por que ora à luz dos céus florido Éden se ostente, 
ora descanse envolta em negro véu bordado. 
O mar espuma, troa, investe as brutas fragas, 
que o repulsam desfeito, em nunca finda guerra. 
Mas na perpétua luta, as rochas como as vagas 
seguem juntas, sem termo, o volutear da terra. 

MIGUEL (cantando) 

Dos solos contra o mar, do oceano aos continentes, 
jogam-se os temporais com ímpeto profundo; 
zona de assolasses e criações potentes, 
que desfaz e refaz perpetuamente o mundo. 
Ígnea precede a morte ao trovejante horror. 
Mas nós, os cortesãos da tua imensidade, 
gozamos luz e paz por toda a eternidade. 
Bendito sejas tu, Senhor! Senhor! Senhor! 

OS TRÊS (juntos) 

As tuas criações enchem os céus de espanto; 
nem o arcanjo lhes sonda a portentosa essência. 
Como o fora a princípio, ó sacra Omnipotência, 
teu mundo é hoje ainda enigma, assombro, encanto. 

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